REFLEXÃO MAIOR

Basílio Garcia Rosa

Fui estudante de filosofia, na USP, na época em que se viu as maiores transformações sociais de nossa época: as décadas de 60 e 70. A Europa havia passado por duas guerras terríveis (1914-1918 e 1939-1945) e as gerações pós guerra começaram a questionar os valores vigentes. Nem perguntarem se deveriam manter alguns deles, separando-os entre bons e maus. Simplesmente disseram "não" a tudo e iniciaram uma revisão geral sem qualquer parâmetro.

Quem não se lembra das manifestações estudantis do final da década de 60? Personagens como o estudante francês Cohn-Bendit, entraram para a história. Aqui no Brasil a ditadura militar usava todas as formas de repressão, mas os estudantes, entre os quais eu me incluia, saiam às ruas para protestar - muitas vezes nem sabendo exatamente o porquê - ao passo que a globalização dava seus primeiros sinais de aparecimento e a revolução dos valores marchava inexoravelmente sobre tudo o que era conservador.

Nas artes estes ideais se repercutiam visivelmente, como ocorre em todas as épocas da história em que existe transformação. Da mesma forma como a revolução francesa fez com que os cravos - instrumentos musicais taxados como símbolos da burguesia - fossem queimados em praça pública, a revolução pós guerra confinou os violinos, violoncelos,etc. As orquestras foram substituídas pelas bandas e expressões notáveis como Beatles, Rolling Stones logo se tornaram ícones revolucionários.

A moda certamente seria uma das primeiras a sofrer alteração. A noção de pudor, estreitamente ligada ao acobertar o nudismo, cedia totalmente os seus alicerces e a mini-saia e a exposição do corpo despontavam vencedores. Ela representava o que já havia ocorrido antes: a família, o casamento, a virgindade e até a sexualidade foram colocados entre parênteses.

Mas me parece que o recrudescimento da guerra de gerações foi a principal marca da revolução dos costumes. Foi totalmente destruída a ponte que existia entre as diversas faixas etárias, por onde percorria um mar de ternuras. Formou-se novos blocos, fechados entre si, incomunicáveis. Aqueles tempos memoráveis dos saraus que reuniam pais e filhos, avós e netos, crianças e velhos foram definitivamente sepultados.

Muitos outros aspectos sociais e culturais poderiam ser citados, mas a minha proposta é apenas reviver alguns quadros históricos.

Chegamos ao final da primeira década do Século XXI e a confusão estabelecida aprofundou-se ainda mais, principalmente com o estabelecimento de novas funções na sexualidade e suas manifestações. Ressalte-se apenas que os atores e promotores de tudo isto são agora a geração provecta, fechada em seus conceitos e muitas vezes avessa à transformações.

Não seria este o momento ideal para uma reflexão maior? Que benefícios trouxe a série de acontecimentos mencionados ou não. Haveria meios de se melhorar o relacionamento humano, proporcionando uma qualidade de vida melhor?

Mas, para isso, tem-se que definir o fundamento para os valores éticos e morais. Voltarei ao assunto oportunamente!

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