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Doenças re-emergentes e emergências na saúde

Profª. Drª Yeda L. Nogueira (*)

Nos últimos anos tem sido comum vermos na mídia a re-introdução de doenças tais como a dengue, a febre amarela, leishmaniose, a gripe do frango (SARS) e mais recente um surto de doenças de chagas transmitido pelo caldo de cana em Santa Catarina.

O que há de novo? Todas essas doenças são endêmicas no País, pois são doenças tropicais que são transmitidas por vetores (insetos), os quais estão presentes e adaptados em diversos ecótopos em diferentes regiões do país. O novo está no fato que estas doenças re-aparecem em novos ambientes mostrando sua capacidade adaptativa, às vezes em ambientes urbanos diferentes dos ambientes naturais de onde eram originárias. Muitas vezes o ambiente urbano ficou tão próximo do ambiente natural que estes vetores logo se integram ao novo ambiente e passam a circular nos dois ao mesmo tempo: o natural (nativo) e o recém urbanizado, favorecendo deste modo à re-introdução de doenças muitas vezes com uma força de infecção muito alta.

Dessa forma, se instalam as doenças re-emergentes. O que pode acontecer com a doença de Chagas nesse novo cenário? A doença de chagas é endêmica no País, principalmente no nordeste. No Brasil sofrem do mal de chagas 5 milhões de pessoas e morrem 45.000 pessoa por ano, enquanto que com a AIDS existem 1,2 milhões de pessoas infectadas e morrem 15 000 pessoas ano, há pelo 4 vezes mais doentes com chagas, infectados pelo Tripanossoma cruzi do que pacientes infectados com o HIV. Embora o mal de chagas por ser uma doença crônica vá sobrecarregar o atendimento nos serviços de saúde, mesmo assim os grandes laboratórios não investem na produção de medicamentos para eliminar a doença, pois esta é considerada uma doença de pobre, cujo investimento não traz retorno. Só mesmo o investimento público seria possível para este fim.

Mas agora este protozoário presente no caldo de cana teve a capacidade de transformar a tradicional e inocente garapa em´´suco mortal´´, uma doença introduzida num ambiente diferente daqueles já conhecidos e com uma força de infecção alta, capaz de desenvolver a doença na forma aguda e o paciente vir a óbito rapidamente, mobilizando emergências na área de saúde seja hospitalar, bem como de força tarefa em vigilância epidemiológica. Este novo cenário poderá promover alguma mudança nas estratégias em relação a essa doença, principalmente porque ela não é só um problema de doença de pobres em países tropicais, mas porque ela pode atingir turistas de países ricos.

Yeda L. Nogueira(*)
Pós-doc na
Faculdade de Saúde Pública/USP