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Desmantelemos o Populismo através da Tecnologia

Gloria Alvarez - Guatemala

A primeira coisa que o populismo faz é desmantelar as instituições, pouco a pouco, não importando se pela esquerda ou pela direita. Reconstrói-se constituições conforme os interesses dos diferentes líderes corruptos que existem na América Latina.

O populismo, na verdade, não veio por pura casualidade e nossa parte consiste não só em denunciar as suas atrocidades contra nossas instituições como, também, reconhecer os péssimos trabalhos dos sistemas governamentais que os precederam e que levaram a uma crise absoluta pessoas e populações que, em desesperança, recorreram a esses líderes, muitas vezes pela vias democrática, consagrada pelo voto o que, muitas vezes, justificam a permanências no poder por longos e intermináveis anos e décadas.

Assim, na batalha entre a esquerda e direita, as pessoas que estão contra o populismo devem opor essa forma de governo ao verdadeiro republicanismo. Afinal, a república é que realmente garante a institucionalidade do Estado.

Desde os tempos ancestrais, como o dos gregos, filósofos como Sócrates e Aristóteles observaram o curso da democracia, destacando-se três direitos fundamentais e inalienáveis a cada um de nós, nossa vida, através da qual podemos executar nossos projetos, nossa liberdade através da qual podemos nos expressar, comercializar, trabalhar, nos mobilizar, aceitar as crenças que sejam de nossa preferência e poder expressar, dessa maneira, nossos sistemas políticos e o que se busca em um governo. Por último, a nossa propriedade privada, que começa por nosso corpo, por nossa integridade. Nossa propriedade é o acúmulo de todas as coisas que amealhamos desde o dia que nascemos até o dia em que morremos.

Esses três direitos, sem dúvida, podem existir em cada um de nós, sem impedir o direito dos outros, o que implica na existência de outros direitos, como saúde, educação, a vestimenta e outras séries de direitos que são exigidos pelas sociedades de cada um dos países e que não são usualmente atendidos.

O problema com esses direitos, e que os gregos reconheceram desde aquela época, é que necessitam de uma renúncia prévia do direito a propriedade de alguém para poderem ser outorgados e é aí onde os nossos governos falharam. Porque se afirmamos que todas as sociedades têm direito a essas coisas, nunca fica estipulado que devem renunciar a certos direitos para outorgar outros. E, desse mal estar é que nossas populações resolveram recorrer aos regimes totalitários e populistas que hoje existem. Independentemente de nossas ideologias políticas, se somos liberais ou sociais-democráticos, devemos reconhecer que esse é um debate a ser enfrentado em nossa região. Se vamos dar direitos de onde vamos retirar e com que recursos vamos pagar, e se isso não fica estabelecido, nossas populações ficarão interminavelmente esperando dos atuais líderes a resposta e a solução.

Gostaria de retomar o que disse o Sr. Florentino Portero a cerca de sua definição de populismo, quando afirmou que pode ser considerado o atalho no qual jogamos com as paixões, ilusões e ideais das pessoas, prometendo o que é impossível, aproveitando-se da miséria dos indivíduos, deixando-os absolutamente de fora de toda a razão e lógica na tomada de decisões. Joga-se com a necessidade para de fato impor uma ditadura.

Sim, joga-se com a necessidade de nossos povos e isso os filósofos gregos previram, quando disseram que há três tipos de governo. O governo que se chama monarquia e pode se converter em ditadura, ou o grupo que se chama aristocracia e se degenera em uma oligarquia, como nós conhecemos hoje na América Latina, uma vez que nossas aristocracias, nossas elites se degeneraram ou, por último, se tem uma democracia onde todos governam e se torna uma demagogia que todos conhecem muito bem na América Latina.

Quando os gregos observaram essas três formas de governo, se deram conta que a República era uma resposta, porque a República permitia essas três instituições. O monarca na forma de presidente, a aristocracia na forma de parlamento e a democracia como o veículo e a via de comunicação. É por isso que a República anula os vícios das três formas de governo para agrupá-las e formar a instituição que o populismo hoje está destruindo.

Por isso a questão que proponho é desmantelamento do populismo através da tecnologia, uma vez que neste encontro tratamos das mudanças que estão surgindo em nossos países, mas que não são acompanhadas por avanços na educação.

Observa-se um contagiante avanço tecnológico, com novos insumos e novas formas tecnológicas de comunicação surgindo a cada hora no mundo, mas simultaneamente a educação continua estagnada, sem se perceber sua prioridade absoluta para os latino americanos. Por outro lado, nossos parlamentos não trocam ideias, não debatem a importância desse fato e as razões ideológicas perdem a importância que deveriam ter e já não há um respeito pelo argumento, por deixar fora as falácias e encarar de frente essa e outras realidades.

Os nossos lideres populistas anulam toda a razão e toda a lógica do argumento, levantando paixões. Nesse quadro nos cabe, também, levantar uma paixão, uma paixão pela educação, uma paixão pelo intercâmbio de ideias, uma paixão pelo conhecimento, uma paixão por querer ser pessoas e indivíduos revestidos de poder.

Outra coisa que faz o populismo é anular a dignidade das pessoas, fazendo-as não se sentirem capazes e nem dignas para governar suas próprias vidas, necessitando de alguém que maneje absolutamente tudo para poder seguir adiante. (Um exemplo é a bolsa família no Brasil que mais escraviza do que liberta, que substitui o salario pela esmola que garante o voto aos populistas e não a libertação da pobreza para está e as futuras gerações de votantes dependentes.)

A definição de Florentino me parece fundamental quando afirma que “o populismo ama tanto os pobres que os multiplica”, porque o que busca é a multiplicação da miséria para continuar recebendo um voto, através de qualquer troca material com os (votantes dependentes) pessoas.

Qual o segredo para superar esses ciclos de exploração e multiplicação da pobreza?

A resposta institucional que as futuras gerações necessitam é a República. A admiração que existe em alguns países, como na Guatemala, pelo regime cubano e pelo regime venezuelano é absurda. Essa admiração não é guiada pela razão e pelo conhecimento e poucos guatemaltecos estão suficientemente informados que em Cuba um engenheiro civil prefere trabalhar de taxista. Aliás, poucos são os latino-americanos que vêm no governo chavista as atrocidades e violações dos direitos humanos. Como fruto da propaganda política dos governos populistas o que os latino-americanos sabem é que lá a educação e a saúde são grátis. Ora, nada é grátis, tudo é pago e tem um preço e quando não há mecanismos institucionais começa a corrupção e todo um sistema se desconstrói e se degenera.

No caso da Guatemala, teremos eleições no próximo ano e infelizmente os três candidatos que podem ganhar a presidência caminham pela via populista, sejam de direita ou de esquerda. Porque uma coisa que se deve considerar é que o populismo se impregnou por todas as ideologias.

O mecanismo que os populistas usam é seguir com esse discurso: alguém está mal por que alguém está bem. Nossa obrigação é corrigir esta situação. O fato de uma pessoa acumular riqueza não impede que outra também o faça mas, para tal, se necessitam instituições, segurança jurídica, respeito ao estado de direito e sobretudo resgatar em nossos parlamentos o respeito e a admiração pelo debate de ideias com argumentos, razão e lógica.

Contudo, uma população que não têm acesso a uma educação de qualidade não vai exigir de seus políticos um debate com lógica e com argumentos e, claro, vai se deixar manipular facilmente através das paixões manipuladoras.

A chave está nas ferramentas que nos proporcionam a era do conhecimento. Utilizar as redes sociais, a tecnologia e a facilidade de comunicação que permite com um único “click” conectarmos com todo o nosso continente, onde compartilhamos o idioma, e a cultura. Compartilhemos agora um intercâmbio de ideias, para levar adiante esta luta e começar a expor e desmantelar o populismo como hoje se apresenta em nossos países.

Necessário se faz vencer o populismo cujo poder posterga a pobreza, a ignorância e mantêm as sociedades submetidas à ilusão de que só os bens materiais são importantes, aterrorizando as populações pobres com a possibilidade de perda se votarem nos adversários do poderosos.

Por tudo isso proponho que nós, líderes latino-americanos, ao firmar a “Declaração de Zaragoza” nos comprometamos a desmantelar o populismo utilizando a tecnologia e usando como ferramenta a República, o único sistema que de fato resgata as instituições, pois baseado na razão, na lógica, nos argumentos e no intercâmbio de ideias.

Glória Alvarez
Movimiento Cívico Nacional
Guatemala
(*)
Tradução e adaptação a alguns aspectos da realidade brasileira
José Roberto de Souza Dias, PhD:.
jrsdias@gmail.com
https://www.facebook.com/jrsdias33
Instituto Chamberlain de Estudos Avançados
Núcleo de Articulação Voluntária – NAV
www.institutochamberlain.org