Enquete


Voce concorda com eleições gerais, em todos os níveis, para superar a crise brasileira?

Sim

Não

Indiferente

O Instituto


CNPJ: 58.631.607/0001-50
OSCIP: 08026.000856/2003-50
Fundado 21 de Novembro de 1989

CHOOSE YOUR LANGUAGE Portuguese English

Celular e direção, nem pensar!

José Roberto de Souza Dias (*)

Estudo publicado pelo British Medical Journal mostra que dirigir e usar o telefone, simultaneamente, quadruplica a possibilidade de acidentes de trânsito. Mesmo com a utilização do sistema mãos livres, o chamado “bluetooth”, não diminuiu de forma significativa, esse tipo de risco.

Pesquisas do Departament of Medicine and of Health Administration, da Toronto University, no Canadá, concluíram que é muito mais arriscado falar ao telefone do que escutar o rádio e conversar com outros passageiros. Demonstraram que são equivocados os argumentos de que usar o telefone enquanto dirige seja tão perigoso quanto outras atitudes corriqueiras. Ao contrário, do que até então se propalava, a possibilidade de acidentes, devido ao uso de celulares é algo real e sério.

Pesquisadores canadenses concluíram que o risco de acidente é 4.9 vezes maior entre os motoristas que usam o celular normal, mas também é alto, 3.8 vezes entre os que utilizam o sistema “bluetooth”. Advertem que esta tecnologia, que deixa as mãos livres, pode dar uma falsa idéia de segurança. Afirmam que se aumentar o uso de celulares poderá contribuir para um maior número de acidentes.

Estudos realizados nos Estados Unidos, patrocinados pela National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA) e conduzido pelo Virginia Tech Transportation Institute, evidenciam que a distração é uma das principais causas de acidentes de trânsito. Entre os comportamentos que induzem a distração, destaca-se o uso do telefone celular como o mais freqüente.

Segundo o relatório da Virginia Tech o número de acidentes e de quase acidentes atribuídos ao envio de mensagens ou torpedos ao volante é quase idêntico ao número de acidentes associados ao ouvir ou falar no telefone. Porém, o relatório alerta que enviar uma mensagem é muito mais perigoso e só não se reflete nas pesquisas porque é realizado com menor freqüência do que conversar ao telefone.

Segundo esse relatório, quase que 80% dos acidentes e 65% dos quase-acidentes, ocorrem em três segundos e estão de alguma forma, relacionados à distração do motorista.

Alcançar um objeto com o carro em movimento multiplica o risco de acidente ou quase-acidente por nove vezes, enquanto a leitura, aplicação de maquiagem ou o uso de dispositivo portátil triplica o risco.

No Brasil, e em particular em Santa Catarina, a utilização de celulares pelas pessoas enquanto dirigem tem se tornado uma constante. Apesar de toda a regulamentação existente não há uma conscientização sobre a taxa de perigo que representa esse tipo de procedimento. Por aqui, ao contrário do que ocorre em outras partes do mundo, ainda não existem pesquisas suficientes para demonstrar que o uso do celular no volante é tão grave quanto beber e dirigir.







A sociedade catarinense, sempre a frente de importantes mobilizações sociais, como a defesa do meio ambiente, começa a se conscientizar da gravidade desse tipo de comportamento. Já se percebem movimentos em defesa da cidadania no trânsito, principalmente através de insistentes sugestões para inibir tal procedimento por aqueles que estão dirigindo.

Necessário se faz, entretanto, lembrar das conclusões dos trabalhos científicos internacionais aqui elencados.

O telefone celular é parte integrante da vida das pessoas e seu valor é fundamental em diferentes atividades. Mais do que disciplinar, necessário se faz educar as pessoas para a prática da cidadania no trânsito.

Conscientizar significa diminuir o número de vítimas em acidentes causados pelo mau uso dos aparelhos celulares. A punição é também, um complemento educativo a condicionar a mudança de atitude no trânsito. Conforme o Código Brasileiro de Trânsito, a multa é de R$ 85,00 e perde quatro pontos na carteira.

Governo, sociedade e iniciativa privada têm um papel fundamental na divulgação de um comportamento de cidadania no trânsito. Para as empresas fabricantes de aparelhos telefônicos e as Teles fica a sugestão de incluírem chamadas em suas propagandas, do tipo ao dirigir não use seu telefone, alertando para o risco que este ato representa.

A proposta de oferecer aplicativos que bloqueiem o uso do celular ao volante pode ser uma alternativa, principalmente se gratuita e para uso em todos os aparelhos independente de marca e modelo mas, prioridade absoluta, é desenvolver um programa permanente de esclarecimento que induza os condutores de veículos a silenciarem ou desligarem seus aparelhos quando assumem a direção dos veículos, afinal para estas situações é que já existem as caixas postais.

Os brasileiros, em sua maioria, responderam positivamente aos programas de estimulo ao uso do cinto de segurança, do capacete e de transportar as crianças no banco de traz, certamente farão o mesmo se esclarecidos sobre os riscos e punições quando eventualmente usarem o celular no volante.

Enfim, parafraseando vitoriosa campanha de combate ao crack liderada pelo Grupo RBS, Celular e direção, nem pensar!

(*) José Roberto de Souza Dias:.
Doutor em Ciências Humanas e Mestre em História Econômica pela USP. Professor Adjunto da UFSC criou e coordenou o Programa PARE do Ministério dos Transportes, foi Diretor do Departamento Nacional de Trânsito – Denatran. Secretário Executivo do Gerat da Casa Civil da Presidência da República, Diretor de Planejamento da Secretaria de Transportes do Rio Grande do Sul, Presidente do Instituto Chamberlain de Estudos Avançados, Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Ciências Sociais de Florianópolis – CESUSC