Enquete


Voce concorda com eleições gerais, em todos os níveis, para superar a crise brasileira?

Sim

Não

Indiferente

O Instituto


CNPJ: 58.631.607/0001-50
OSCIP: 08026.000856/2003-50
Fundado 21 de Novembro de 1989

CHOOSE YOUR LANGUAGE Portuguese English

Galvão anuncia aposentadoria

Cristina Padiglione

Juro que me comovi. Sempre digo que o Galvão é o mais xingado dos locutores, mas ninguém passa sem ele. A diferença é que se você é como eu, que adora uma cozinha (e eu não tenho TV na cozinha), e fica ouvindo o áudio da TV à espera do gol, corre a toda hora para a sala, crente de que o gol “está saindo”. Galvão, ou dom Galvão, como o chamei nas minhas crônicas durante a Copa de 2006, é o homem do gerúndio e não opera telemarketing: o gol, na narração dele, está sempre “saindo”… “olha o gol, olha o gol…”. É cúmplice da torcida mais otimista.

Já no SporTV e na ESPN Brasil, com todo o respeito à sobriedade profissional dos caras, eu cozinho um coq au vin sem arredar o pé da cozinha (no caso das partidas 0X0). Na Band, só me mexia da cozinha para a sala ao ouvir o Silvio Luiz, era a bola mais divertida daquele canal. Pelo resto do time, honestamente, não compensa queimar o feijão.

E bem hoje, ao sagrar a nova seleção campeã do mundo em Copa de futebol, dom Galvão nos deu a triste notícia de que esta é sua última Copa fora do Brasil. Pelo recado, faz no máximo a narração de 2014 e cai fora.

Vê-se que os autores da campanha “cala boca, Galvão” acertaram na premonição: Galvão não é um pássaro, mas está em extinção.
Afinal, o que seria da minha geração, que passou 24 anos sem um título e amargou várias decepções (a maior delas em 82, com o melhor time do mundo sob as rédeas do glorioso Telê), sem os gritos do Galvão urrando “é teeeeetra, é teeeeeetra!!!!”, na final de 94?

Diz ele que morre de vergonha daquela imagem. Pois eu adooooooro. É minha alma lavada.

Fonte:
O Estado de São Paulo
Seção: A vida como ela é
12/07/2010