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O professor aloprado

NELSON MOTTA

Sexta-feira, Fevereiro 12, 2010

O GLOBO - 12/02/2010

"Hoje em dia, quase tão importantes quanto a 4 ° Frota americana, são os canais de televisão a cabo que nós recebemos aqui. Eles realizam, de forma indolor, um processo de dominação muito eficiente. Despejam toda essa quantidade de esterco cultural." Quem adverte é o professor Marco Aurélio Garcia, nosso coministro das Relações Exteriores. Chávez não diria melhor. E faria muito melhor, fecharia logo essas fábricas de esterco. E o povo poderia se instruir e se divertir à vontade com a Telesur, a TV Brasil e a Cubavisión.

Por que não instituir aqui um "controle social do cabo"? Para o professor, os milhões de brasileiros que pagam caro por uma assinatura, e todos que a aspiram, até os petistas, são perfeitos idiotas lationamericanos que, inocentemente, se deixam seduzir pelas mensagens capitalistas dos seriados, filmes, noticiários, entrevistas e até desenhos animados e séries de animais: como capitalistas selvagens, os mais fortes comem os mais fracos. Não há justiça na natureza.

Embora reconheça que "estamos vivendo um momento grave do ponto de vista de uma cultura de esquerda, com a crise do socialismo real", o professor acusa o lixo cultural a cabo de agravá-la. Mas por que as esquerdas não conseguem fazer veículos de comunicação de massa informativos e divertidos, atraentes e populares, por mais que tentem e por maiores que sejam as verbas e a "vontade política" dos governos? A vontade popular é sempre outra: novelas, seriados, filmes, programas de auditório, humorísticos, para se divertir um pouco depois do cotidiano duro dos trabalhadores brasileiros. Embora a elite de esquerda ache pobre, vulgar, alienante e de mau gosto o trabalho de tantos profissionais do entretenimento, depois de ralar o dia inteiro ninguém quer ouvir um professor falando da crise do socialismo real e das perspectivas do socialismo do século 21.Ou um debate sobre o etanol e o présal.Na TV, o povo está no poder e, armado de seu controle remoto, diz que não quer ideologia, quer emoção. Mas eles insistem.

Nunca subestimem a estupidez humana, advertiu o professor. Não há como discordar.

Fonte
O Estado de São Paulo