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Brasil Urgente (*)

José Roberto de Souza Dias

Atualmente, a sociedade brasileira se mantém quase que inerte perante os acidentes de trânsito, os desastres naturais e outros acontecimentos. Considera-os fatos inevitáveis e que nada pode ser feito para preveni-los, contê-los e diminuir seus efeitos deletérios.

O Brasil insiste em ficar na contramão de outros países que se preparam e se organizam para prevenir acidentes de tráfego, desastres naturais, terrorismo e outras formas de violência. Tal comparação parece esdrúxula, porém é muito realista.

O País tem uma frota de veículos automotores menor do que a dos USA, por exemplo, mas nossos acidentes por 10.000 veículos em circulação, são maiores e muito mais violentos. O mesmo ocorre com os desastres naturais, em número e grandeza somos menos suscetíveis, mas em termos de prevenção e de conseqüências sociais somos muito seriamente afetados. Mais grave ainda, em termos de monitoramento de áreas de risco nossos índices beiram ao zero absoluto quando comparados com outras nações.

Essa situação torna-se menos compreensível quando se verifica a excelente qualificação dos técnicos e pesquisadores brasileiros que estão entre os melhores do mundo.

Segundo Augusto José Pereira Filho, professor do Departamento de Ciências Atmosféricas da USP, em entrevista à Globo, o que nos falta é integração entre os vários sistemas de coleta de informações.
A integração de informações é peça fundamental em qualquer processo preventivo.

Os dados recolhidos, por estações meteorológicas, radares, satélites, etc., precisam de cruzamentos constantes. Mas só isso não basta!

A rede de equipamentos, existente no País, não cobre todo o território nacional e possui sérias lacunas, inclusive nas áreas de risco.

Evidente que se a área de coleta de informações é insuficiente, o cruzamento de dados originariamente estará comprometido e, portanto não será possível realizar um trabalho de prevenção com um mínimo de margem de segurança.

Rudy Giuliani, ex-prefeito de New York, afirma que todo trabalho de prevenção depende de informações e estatísticas confiáveis e que sem essa ferramenta é impossível realizar um trabalho com uma segurança desejável.

Por outro lado, como dizem os historiadores, o desconhecimento do passado compromete a ação no presente e no futuro.

Nesse sentido, o planejamento de um programa preventivo depende do conhecimento de situações anteriores, da freqüência que se repetiram, das áreas que foram atingidas e das soluções exitosas que foram adotadas no passado. Em outros termos, depende de um banco de dados confiável.

De outra forma, paga-se um preço elevado por não considerar o que ocorreu em Santos em 1928; Caraguatatuba e Rio de Janeiro 1967; Tubarão, SC, 1974 Blumenau, SC. 1983 e 1984; Petrópolis, 1988, com 174 pessoas mortas. E mais recentemente, em diversas cidades catarinenses, e agora Angra dos Reis, São Luiz do Paraitinga e Agudo.

Necessário se faz criar, imediatamente, um programa de prevenção que mobilize a sociedade civil e os vários organismos de governo, que atue firmemente nas causas, mas que esteja preparado para agir nas conseqüências quando essas se apresentarem inevitáveis, apesar de todos os esforços para evitá-las ou reduzi-las.

Criar um banco de dados confiável, mobilizar a sociedade civil instituindo verdadeiros batalhões de voluntários capacitados e preparados para a ação, viabilizar programas como os rotores da vida com a participação de helicópteros públicos e privados, são algumas das medidas a serem tomadas de imediato.

A sociedade brasileira saberá na paz dos dias de sol preparar-se para a guerra dos dias tempestuosos, compreendendo que o voluntariado é uma forma de expressar o amor através de uma caridade pró-ativa.

(*) Jose Roberto de Souza Dias
Doutor em Ciências Humanas pela USP e Mestre em História Econômica, Professor Adjunto da UFSC,criou e coordenou o Programa PARE do Ministério dos Transportes e foi diretor do Departamento Nacional de Trânsito - Denatran.