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Nossas mazelas - O narcocontinente

Noticias das Américas - Blog de Débora Thomé

Esta semana andei vasculhando os jornais dos países latino-americanos na internet atrás de notícias interessantes. Além da revisão na previsão do crescimento para a América Latina, divulgada pela Cepal, um assunto foi comum à imensa maioria dos jornais: problemas graves relativos ao narcotráfico. Em tese, nada contra o Congresso norte-americano dizer que a Venezuela é um "narcoestado", porém, pelo que ele define como "narcoestado", que país latino-americano não o é? Seria muito fácil reduzir o problema à Venezuela, seria muito fácil se o problema fosse solucionado com montanhas de dinheiro e produtos químicos jogados sobre as plantações. Um dado, para começar: em toneladas, metade das apreensões de cocaína no mundo ocorrem na América do Sul.

No último fim de semana, o México, que vem vivendo uma batalha sangrenta de combate aos cartéis de droga, teve seus piores momentos da guerra até agora, com vários ataques, policiais mortos, corpos deixados nas estradas. Lá, os políticos locais - e diz-se também parte do poder judiciário - estão profundamente ligados ao crime. Na Colômbia, estourou mais um escândalo da parapolítica - os congressistas que são ligados aos paramilitares que, por sua vez, também têm atividades de narcotráfico. No Brasil, hum... Sabemos a dramática história de cor e salteado. Na Bolívia, luta-se para plantar a folha de coca, afinal, seja para produzir drogas ou não, isso dá retorno financeiro. Nos centro-americanos, uma das questões centrais são os maras, gangues violentas que atuam nos seus países e nos Estados Unidos que, entre outras atividades como o tráfico de pessoas, também fazem tráfico de drogas.

Poderia citar aqui quase todos os países da região apenas para reafirmar meu ponto: a questão do narcotráfico - infelizmente - é mais complexa. Talvez, inclusive, seja nossa pior mazela, junto apenas com a desigualdade. E, se é que a definição é válida, a Venezuela é mais um "narcoestado".

De fato, há uma mudança no caso da Venezuela: segundo os dados do relatório do escritório da ONU para Drogas e Crime, divulgado no fim do mês passado, o país se transformou na mais importante rota de saída de drogas, sobretudo para a Europa (mas isso também se dá para os EUA). Mas o maior volume apreendido - 60% do total da América do Sul - se dá mesmo na Colômbia. Os principais países de origem, segundo este mesmo relatório, são Colômbia, Peru e Bolívia.

Tudo isso posto, repito aqui o que já vêm dizendo as mais variadas correntes do pensamento latino-americano: as atuais políticas de combate ao narcotráfico precisam - urgentemente - mudar

Noticias das Américas - Blog de Débora Thomé

Esta matéria foi destaque no Blog de Miriam Leitao.