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Perigo sobre duas rodas

Mauri Pannitz

A presença de motocicleta no trânsito, por si só, já representa risco muito maior do que o risco oferecido por qualquer outro veículo. Dentre todos os modos de transporte esta é a maneira mais perigosa de uma pessoa se transportar.

Andar de moto é cento e catorze vezes mais inseguro do que andar de ônibus e trinta vezes mais do que de automóvel, segundo estudo australiano. Dos motociclistas que se acidentam 57% são jovens de 16 a 29 anos segundo as estatísticas. No Brasil a fatalidade de motociclistas é parcela importante do total anual. O crescimento da frota de motos aumentou os acidentes que cresceram assustadoramente.
Nas grandes cidades, as motos atingem somente 10% da frota total de veículos, mas produzem mais de 50% dos acidentes. Os ventos favoráveis da economia têm feito com que financeiras anunciem: “milhares de ofertas de motos para você” em pequenas prestações. É uma tentação para o jovem desempregado, que vê na moto a forma de conseguir uma atividade de trabalho e de renda.
O transporte de passageiro com moto é uma atividade de risco, a não ser em moto tipo triciclo “riquixá” ou naquela com “sidecar”, em que o passageiro viaja com mais conforto e riscos menores. Já o serviço de tele entrega e tele busca é uma nova oportunidade de negócio e um excelente canal de vendas, ainda carente de regulamentação.

Pelos riscos que apresenta, merece especial atenção das autoridades, uma vez que o serviço se tornou uma atividade logística eficiente. O mesmo estudo revelou que a imaturidade do jovem o torna mais propenso a acidentes que, geralmente estão associados a um modelo comportamental caracterizado pelo desejo de quebrar a lei e violar regras de segurança.

Conforme o estudo referido, eles formam um grupo que apresenta comportamento com atitudes de risco decorrente da rebeldia própria da juventude, e com tendências de fazer demonstrações e arriscar-se em busca de emoções. Outro estudo, feito no Canadá detectou que, de todos os motociclistas mortos em acidentes, 42.4% estavam embriagados. Aqui no Brasil, não raras vezes, também é constatada a presença do álcool e outras drogas nos motociclistas mortos em acidentes.
Andar no tráfego sobre duas rodas é uma tarefa altamente complexa e arriscada. A natural instabilidade da moto requer dos condutores mecanismos psicofísicos em perfeitas condições e uma coordenação mental e motora mais desenvolvida do que a necessária para dirigir um veículo de quatro rodas. Por tais razões, o processo de licenciamento para conduzir motocicletas deve ser repensado, em termos de formatação e carga horária do curso de formação para habilitação, tanto a parte teórica quanto a prática.

Testes psicológicos e conhecimentos técnicos devem ser acrescentados ao treinamento do novo condutor para que execute a tarefa de pilotagem de motos de forma segura. Um dos aspectos a revisar é o período da permissão para conduzir motos de apenas um ano. Outro aspecto é que a experiência em veículo diferente não seja aproveitável na moto.

Para maior segurança da concessão definitiva sugere-se que esse tempo seja ampliado para dois anos, visto que a motricidade necessária para reagir aos movimentos para equilibrar a moto ainda não foi condicionada na mente autônoma, abrigada no subconsciente do condutor aprendiz. Repetitione magistra scientia, diz a sabedoria romana.
A fase de aprendizado é um processo em que as tarefas e subtarefas de condução devem ser repetidas, como em qualquer processo de capacitação por tentativas e erros. É um processo necessariamente lento no qual a mente consciente repassa para a mente subconsciente todas as informações de comando motor necessárias ao condicionamento das reações motoras automáticas indispensáveis à condução em nível de controle, em que as subtarefas microcomportamentais são realizadas como atos reflexos