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Greenpeace das Estradas

Prof.Dr. José Roberto de Souza Dias

Ao longo dos anos, a imprensa estampa atrocidades da guerra, de um lado a força dos exércitos mais poderosos do mundo, de outro, guerrilheiros que compensam o poder tecnológico com ousadia, tática e fanatismo religioso. É lógico inferir-se que as guerras são a principal causa das mortes violentas no mundo.

Entretanto, uma revista especializada na prevenção de acidentes, Injury Prevention Review, mostra exatamente o contrário. Entre 1994 e 2003 houve 33 atos terroristas, nos países industrializados que provocaram 3064 mortes. Nesse mesmo período, os acidentes de trânsito causaram quase 400 vezes mais mortes. Em 2006, os atentados provocaram cerca de 20.000 óbitos em todo o mundo, enquanto a taxa por acidentes de trânsito foi 390% maior.

No Brasil, a doença chamada, equivocadamente de acidente de trânsito, assume níveis epidêmicos. Estatísticas internacionais permitem compreender melhor esse quadro. Enquanto em nosso País morrem 7 pessoas para cada 10 mil veículos-ano, nos USA são dois mortos, mantidas as mesmas proporções.

Estatísticas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo mostram que o risco de uma morte violenta é maior no trânsito brasileiro do que na guerra. Os números falam por si: em media 30 mil mortes no local do acidente, 20 mil nos hospitais nas primeiras 24 horas, uma pessoa morta a cada 11 minutos, um atropelamento a cada 7 minutos, um acidente de trânsito a cada 31 segundos. Mais da metade dos acidentes com moto resultam em mortes, 70% por cento dos acidentes com mortes vinculados ao álcool, 65% dos leitos hospitalares, ocupados por acidentados de trânsito, a maioria das vítimas homens entre 18 e 26 anos. Tudo isso causando um desperdício de 5,3 bilhões de reais e 16,8 milhões de dias de trabalho parados.

Em 2007, apenas nos 61 mil quilômetros de rodovias federais, ocorreram 122.985 acidentes, 6.840 mortes imediatas e 75.000 feridos, um aumento médio de 10% em relação ao ano anterior. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, 80,75% dos acidentes aconteceram em pistas em bom estado de conservação, 71,4% em retas, 53,6% durante o dia. Confirma-se, assim, que a imprudência e a imperícia são as causas matrizes da acidentalidade.

Santa Catarina com suas praias de mágica beleza e com suas serras encantadoras, eleita o segundo destino mais prestigiado pelos turistas brasileiros, ainda ocupa a vice-liderança em acidentes rodoviários, perdendo apenas para Minas Gerais que possui o dobro de quilômetros em sua malha rodoviária federal.

Nesse início de novo ano percebe-se que algumas coisas começam a mudar. Assim como aconteceu com a defesa do meio ambiente, a sociedade brasileira, e catarinense em particular, mobiliza-se em defesa da Vida.

A Campanha “Isso tem que ter fim”, da RBS, revela a irracionalidade dos que fazem dos seus carros armaduras medievais, onde escondem seus defeitos e frustrações.

Aos poucos se percebe uma mobilização social de indignação ativa que poderá se transformar num greenpeace das ruas e estradas. Aí sim, sem lágrimas nem dor, será mais aprazível apreciar as belezas de Santa Catarina.

Prof. Dr .José Roberto de Souza Dias,
Prof. Adjunto da UFSC, ex presidente
Do Contran, ex diretor do Denatran e
Presidente do Instituto.Chamberlain