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Bagdá é aqui !

Prof. Dr. José Roberto de Souza Dias

O acidente ocorrido no oeste catarinense se compara a um grave atentado terrorista no Iraque. Até agora já se contabilizam mais de 90 feridos e 27 mortos. O que mais será preciso acontecer para que se tome consciência do estado de guerra não declarada de nossas ruas e estradas? Fotos já circulam pelos principais jornais do mundo, mostrando um cenário de guerra. Difícil acreditar tratar-se de um trecho de estrada do interior do Estado, no final de um dia comum de trabalho.

Os fatos ocorridos no oeste catarinense, assim como a maioria dos outros que ensangüentam nossas vias, equivocadamente, segundo o Dr. Dario Birollini, são denominados de acidentes de trânsito.

Acidente é um evento inesperado e indesejável que causa danos pessoais, materiais, financeiros e que ocorre de modo não intencional. Ao contrário, o acidente de trânsito, fora as legítimas exceções, é uma doença social que, como toda a moléstia, pode ser perfeitamente diagnosticada, tratada e reduzida em sua gravidade e proporção.

Será que a imprudência, a velocidade, o beber e dirigir, o dirigir sob efeito de drogas, o desrespeito à sinalização, o baixo nível de exigência para a formação de condutores, a falta de sinalização, o péssimo padrão de manutenção das vias, a falta de fiscalização e a certeza da impunidade não são os sintomas de uma doença social? É possível chamar simplesmente de acidente de trânsito um acontecimento com uma centena de feridos, quase 30 mortos e onde um ou mais desses fatores de risco estão claramente presentes?

Tragédias como essa, são acompanhadas da justa indignação de famílias que tem suas vidas estilhaçadas. Seguem-se os comentários de sempre, sobre a impunidade, a educação e a cidadania. Buscam-se os culpados, longos processos criminais são realizados, mas tudo continua absolutamente igual, sem que nada seja feito para combater de frente essa doença de denominação equivocada. As tragédias continuam, como a que ocorreu logo após os acidentes referidos, tendo a última matado mais duas pessoas na mesma região.

Necessário se faz dar um passo adiante desse conflito. A sociedade e a administração pública têm que se mobilizar para reduzir o número dos acidentes, de feridos e de mortos. A ninguém interessa o macabro título de campeão em mortes nas estradas, muito menos ao Estado de Santa Catarina.

O remédio para todo esse descalabro é simples e conhecido. Mobilizar-se, dizer de alto e bom tom: Quero e exijo respeito à vida! As vítimas de trânsito, suas famílias e amigos têm um papel fundamental nessa cruzada, onde tudo começa pela valorização e respeito ao Código de Trânsito. Em passado recente, a mobilização social em torno da vida resultou na aprovação do novo Código e na diminuição nos índices da doença trânsito, durante alguns anos. Mas, a desmobilização e a falta de investimentos fizeram com que os números voltassem a progredir.

Os grupos organizados da sociedade já demonstraram que sabem transformar indignação em ação. Unir esforços com a administração pública é o caminho, e exigir o cumprimento do Código é a principal tarefa cidadã. Esse é o remédio, o tratamento depende do envolvimento de cada um de nós.

José Roberto de Souza Dias
Ex-Diretor do Denatran, fundou e
coordenou o Programa Pare, participou
dos trabalhos para sanção do novo Código e
elaborou suas primeiras regulamentações.