Enquete


Voce concorda com eleições gerais, em todos os níveis, para superar a crise brasileira?

Sim

Não

Indiferente

O Instituto


CNPJ: 58.631.607/0001-50
OSCIP: 08026.000856/2003-50
Fundado 21 de Novembro de 1989

CHOOSE YOUR LANGUAGE Portuguese English

O PREÇO DA VIOLÊNCIA

VALDEREZ CAETANO - JORNAL DO BRASIL

O custo anual da violência também supera em cerca de 10 vezes o orçamento do Bolsa Família, o principal programa de transferência de renda do governo federal, que atende 11 milhões de famílias.

O tamanho da fatura consta de um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), realizado a pedido do Ministério da Saúde, que norteará o governo na adoção de políticas públicas que possam minimizar os impactos da violência na economia do país.

Segundo o Ipea, dos R$ 92 bilhões que escorrem pelo ralo da violência, cerca de 28 bilhões são arcados pelo setor público.

A conta mais salgada, no entanto, é paga pelo setor privado, com gastos estimados em R$ 61 bilhões anuais.

Na contramão do aumento do gastos dos Estados com segurança pública, que aumentaram em 102,2% no caso do Rio de Janeiro, a União reduziu sua participação em tais despesas de 18,9% para 10,7% entre 1995 e 2005. O estudo mostra ainda que, no caso do Rio de Janeiro, os custos só com atenção às vítimas da violência, somados aos gastos com segurança privada e segurança pública, são superiores a R$ 5 bilhões anuais.

Para o economista Daniel Cerqueira, um dos autores da pesquisa, a idéia é orientar os governos na elaboração de políticas públicas eficientes. A próxima etapa do estudo fixará o custo-benefício de cada política de combate à violência.

- Hoje tudo é na base do achismo - declara Cerqueira. - Qualquer secretário de segurança pública, quando cobrado sobre violência, repete o bordão: vamos comprar mais viaturas e aumentar o efetivo. Mas ninguém parou para perguntar qual o custo-benefício dessa ação.

Segundo o economista, os números podem estar até subestimados porque a metodologia adotada na pesquisa só levou em conta, no caso dos gastos do setor público, variáveis como segurança pública, sistema prisional e saúde.

Já em relação ao setor privado foram contabilizados gastos com segurança privada, seguros, roubos e furtos, além de perdas de capital decorrentes dos prejuízos por mortes e invalidez de pessoas em idade produtiva.

- É um cálculo conservador porque não haviam dados disponíveis sobre algumas variáveis.

Um dos dados a que se refere o pesquisador é a falta de informação sobre as perdas do país no turismo em consequência da violência. Outro é o prejuízo gerado pelo fechamento de empresas em áreas de altos índices de violência. Só os Estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia gastam R$ 20 bilhões anuais com segurança pública.

Segundo o Ipea, o Rio aumentou os gastos em segurança pública em 102,2%, Minas Gerais em 131,5%, Bahia em 60,2%, São Paulo em 43%, e Rio Grande do Sul em 18,3%. Já em relação ao sistema prisional os gastos cresceram 63,3% nos últimos dez anos.

- O pior é que não existe avaliação sobre a qualidade do custo. Trata-se de um modelo de segurança falido que precisa ser revisto - disse Cerqueira.

Jornal do Brasil
21.06.07