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PROFESSOR, MEXA-SE

Prof. Dr. José Roberto de Souza Dias

Você que está aí, sentado numa boa, acreditando que nada pode lhe acontecer, que essa história de corte de salários não passa de conversa de corredor, que vivemos num Estado de Direito e que o governo é democrático e tem raízes populares, respeita os trabalhadores e a Universidade; que, mesmo se a conversa fosse verdadeira, a Reitoria jamais deixaria isso acontecer, que a Apufsc tem bons advogados e lutaria pela causa; que, além do mais, você não tem tempo a perder por estar muito ocupado, e não prejudicaria os alunos e nem a Instituição, envolvendo-se com outras coisas além do ensino e do desenvolvimento técnico e científico...

Pois é. Se você pensa assim e age deste jeito é bom abrir rapidinho o seu contracheque, dar uma olhada na sua conta bancária, ver qual é o seu custo mensal e ir cortando os gastos. Inicie por seu plano de saúde familiar, uma parte dos remédios, o dentista, o seguro do carro, afinal você é imortal e as coisas só acontecem com os outros. Corte também aquele curso de atualização, a internet, a tv a cabo, que aliás não fazem tanta falta assim. Antigamente, essas coisas não existiam e se vivia. Não se esqueça dos cursos de língua, você não vai viajar mesmo e, sem Internet, pode continuar lendo os artigos em português, na biblioteca do campus.

Sinto em dizer que, com um quarto a menos de salário, outros gastos terão de ser racionalizados. Se você é professora e sofre com a jornada tripla, terá que dispensar os serviços da profissional que a auxilia em casa e lhe fornece suporte para as atividades acadêmicas. Mas a lista de corte não pára por aí. Não se esqueça da academia. E os aposentados, além de tudo isso terão que cortar o apoio financeiro a seus filhos e a seus netos. Escolas particulares, nem pensar!

Pois é. Se você não abriu seu contracheque e nem olhou seu saldo prepare-se e acredite: o corte de salários não era conversa fiada e a realidade nua e crua está no saldo bancário desse mês.

Agora que a síndrome de avestruz foi tratada pela vacina da realidade, lembre-se de que ninguém, absolutamente ninguém, o substituirá nessa luta. Nem a Reitoria, nem a APUFSC e nem seu colega do lado são capazes de substituí-lo, afinal, “nós” é a soma de eu mais tu.
Mexa-se, não espere que os outros façam por você aquilo que diz respeito a você e sua família. Tenha vergonha da passividade ou assuma que o salário que foi brutalmente cortado é apenas uma parte dos seus ganhos profissionais. Lembre-se de que seus alunos aprendem muito mais por seu exemplo do que por suas aulas. Nos tempos atuais, os conteúdos estão na rede e são transferíveis por um simples toque nos botões. A conduta, o espírito de luta, a capacitação para o exercício da liderança são repassados pelo exemplo pessoal do docente.

Mobilize-se junto a seus pares ajude a responder perguntas que são inquietantes, tais como: porque nos cortam o salário em 2007 e não em 2006 ou 2008? Terá algo a ver com as eleições?
Ou, será que o corte de nossos salários se explica pelo Pacote de Aceleração do Crescimento, cuja sigla PAC lembra mais o som dos passos pesados de um paquiderme invadindo o campus universitário, pisoteando os jardins, a esperança e a dignidade de todos os que nele convivem? Será que o PAC da Educação, anunciado pelo Ministro Fernando Haddad para breve e publicado pela Folha de São Paulo, já começou de forma experimental pela nossa Universidade, desrespeitando direitos adquiridos há quase 18 anos e cortando as possibilidades de sobrevivência de mais de 1.800 famílias de professores?

Importante lembrar, ainda, as palavras do representante dos alunos em recente Conselho Universitário, quando afirmou que está em jogo a autonomia universitária. Pode-se somar a essa afirmação que está em questão a própria democracia. Principalmente quando se verifica que, o Ministério do Planejamento, afrontando liminar judicial do dia 15 de fevereiro, protela o pagamento integral dos salários, para que o Governo tenha tempo de entrar com outra ação judiciária que garanta a manutenção do corte.

Os professores da UFSC, juntos e fortes, têm certeza que a luta será vitoriosa, que a sociedade catarinense não aceitará o rombo na sua economia, pois além dos salários dos docentes e inclusive as ameaças de devolução do que honestamente ganharam ao longo de quase 18 anos, somar-se-á a perda de produtividade de seus laboratórios e serviços, essenciais para o desenvolvimento de Santa Catarina.

Os Professores da Universidade Federal de Santa Catarina sabem, perfeitamente, onde está a linha divisória do problema, quem está de um lado, quem está de outro, e quem não estando de lado nenhum pisa desavergonhadamente na linha divisória. Nesse sentido, é claro para os professores que a Advocacia Geral da União, AGU, responde a demandas da Casa Civil da Presidência da República e do Ministério do Planejamento, eis aí um dos lados dessa linha divisória.

Os Professores da UFSC acreditam no Poder Judiciário e compreendem que a democracia, a autonomia universitária, a dignidade e os nossos salários são inegociáveis e não repassamos a ninguém o direito de fazê-lo.